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Duplicata escritural: V360 registra crescimento de 975x em antecipação de recebíveis e aponta gargalo de R$ 7,9 milhões em aprovações bancárias

Redação
Última atualização: 18 de junho, 2026 22:14
Por Redação
11 Min de Leitura
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Levantamento da empresa mostra que, mesmo antes da implementação plena da nova infraestrutura regulatória, volume de operações saltou de R$ 629 mil em 2020 para R$ 613 milhões em 2025; cenário reforça potencial de transformação do crédito B2B no Brasil


O mercado de antecipação de recebíveis B2B começa a dar sinais do impacto que a duplicata escritural pode ter sobre a infraestrutura de crédito no Brasil. Dados internos da V360, plataforma de automação de pagamentos e processos fiscais, mostram que o volume operado pela empresa em antecipação cresceu cerca de 975 vezes em seis anos, passando de R$ 629 mil em 2020 para R$ 613 milhões em 2025.


O avanço ocorreu antes da implementação plena da duplicata escritural, em um ambiente ainda fragmentado, dependente de aprovações sequenciais e sem registro centralizado. Atualmente, a V360 também registra R$ 7,94 milhões em operações em aprovação bancária, dado que não representa inadimplência, mas sim crédito validado operacionalmente e ainda dependente de etapas manuais entre instituições financeiras.


A automação fiscal ainda não tem sido suficiente para eliminar gargalos operacionais nas empresas. Levantamento da V360 mostra que, embora 87% das companhias afirmem possuir automação fiscal, 62,2% ainda levam mais de 20 dias para registrar notas fiscais em seus sistemas. Em meio à implementação da duplicata escritural, esse intervalo pode comprometer a validação adequada de títulos, aumentar fricções no pagamento a fornecedores e expor companhias a uma nova camada de risco operacional.


Para bancos e instituições financeiras, a demora também acende um alerta, já que a qualidade e a tempestividade das informações do sacado passam a influenciar diretamente a análise de risco, a segurança das operações de crédito e a validação dos recebíveis usados em financiamentos.


Na prática, a duplicata escritural cria, pela primeira vez no país, um ativo de crédito digital, registrado e rastreado em registradoras autorizadas pelo Banco Central. Com isso, reduz o risco de dupla negociação de um mesmo título e amplia a capacidade de bancos, empresas e fornecedores consultarem informações de forma mais estruturada e rastreável.


Essa mudança impacta não apenas quem antecipa recebíveis, mas também quem paga e quem financia essas operações, já que o sacado passa a ter papel ainda mais relevante na confirmação das informações e na consistência do fluxo de contas a pagar. Para os bancos, isso significa que falhas, atrasos ou divergências no registro de notas podem dificultar a leitura sobre a existência, validade e qualidade dos títulos, elevando a necessidade de processos mais robustos de conferência e gestão de risco.


Com a duplicata escritural, registradoras passam a exercer papel mais relevante na validação, rastreabilidade e acompanhamento das operações, ampliando a necessidade de consistência entre informações fiscais, financeiras e contratuais ao longo do ciclo do título. A mudança, portanto, não está na “exposição de erros ocultos”, mas no aumento do nível de disciplina operacional exigido das empresas.


Na prática, isso significa que divergências entre nota fiscal, pedido, recebimento de mercadoria ou serviço e obrigação de pagamento tendem a exigir processos mais claros, integrados e rastreáveis por parte do sacado. Para as instituições financeiras, essa rastreabilidade também se torna essencial para reduzir incertezas na concessão de crédito lastreado em recebíveis e mitigar riscos associados a informações incompletas, inconsistentes ou registradas fora do tempo adequado.


Esse gargalo também pressiona diretamente os sistemas de gestão das empresas. Em operações de alto volume, qualquer atraso ou inconsistência no registro da nota fiscal dentro do ERP pode comprometer a conciliação entre documento fiscal, pedido de compra, recebimento e obrigação financeira. Com a duplicata escritural, essa integração deixa de ser apenas uma etapa interna do contas a pagar e passa a influenciar a rastreabilidade do título, a validação do crédito e a segurança da operação para bancos, fornecedores e empresas sacadas.


Para Izaias Miguel, CEO da V360, a principal transformação não é apenas regulatória, mas operacional.
“A mudança não é porque surgem novos erros, mas porque o ambiente passa a exigir um nível maior de organização, rastreabilidade e capacidade de resposta. O desafio está em adaptar processos para operar dentro dessa nova lógica”, afirma.


Segundo o executivo, o dado de R$ 7,94 milhões em aprovação bancária mostra onde o crédito ainda trava na prática.
“Nos nossos dados, vemos em tempo real onde o crédito trava. Não é falta de boa vontade dos bancos, mas falta de uma infraestrutura comum. A duplicata escritural cria essa infraestrutura. O que hoje demora dias em aprovações sequenciais passa a ser resolvido por uma registradora que todos consultam em tempo real”, explica Miguel.


Na avaliação do executivo, o novo ambiente amplia a importância do risco operacional dentro da gestão financeira. Questões como atualização tempestiva de informações, rastreamento do ciclo das duplicatas e gestão adequada dos fluxos de pagamento ganham peso maior em um ambiente mais estruturado e integrado. Para as empresas sacadas, isso torna o contas a pagar uma área ainda mais estratégica, já que a capacidade de validar informações, identificar inconsistências e responder dentro dos prazos passa a ter impacto direto na segurança da operação.


Esse desafio ganha dimensão ainda maior quando observado em escala. Nos últimos 12 meses, a V360 processou R$ 630 milhões em antecipação de recebíveis. Apenas entre janeiro e maio de 2026, o volume acumulado já chegou a R$ 200 milhões, ritmo compatível com a superação do resultado total de 2025. Em dezembro de 2025, a V360 processou R$ 57,3 bilhões em mais de 2,6 milhões de documentos fiscais, volume que ilustra a complexidade operacional envolvida na gestão desses fluxos e reforça como consistência de dados e rastreabilidade tendem a ganhar centralidade com a evolução da duplicata escritural.


O volume também evidencia o tamanho do desafio enfrentado por empresas que precisam conciliar grandes massas de documentos, obrigações de pagamento e informações fiscais em ambientes cada vez mais integrados. Em um mercado no qual os bancos dependem da qualidade dessas informações para estruturar, precificar e validar operações de crédito, a baixa maturidade operacional das empresas pode se tornar um fator de fricção para toda a cadeia financeira.


Segundo a V360, 57,8% do volume pendente de aprovação está concentrado em um único grupo econômico. Para a empresa, esse recorte não indica uma anomalia operacional, mas reflete uma característica do mercado brasileiro de antecipação B2B, ainda mais acessível a companhias de grande porte, com rating estruturado e relacionamento bancário maduro.


Com a duplicata escritural, a expectativa é que a rastreabilidade dos títulos e a redução de disputas de titularidade tornem viável a ampliação desses programas para médias empresas que hoje enfrentam mais barreiras de acesso ao crédito.


Enquanto parte do mercado ainda trata a duplicata escritural como um tema predominantemente regulatório, empresas mais maduras começam a antecipar a adaptação como uma agenda de eficiência operacional. Com processos estruturados e dados integrados, ganham previsibilidade, reduzem fricções e fortalecem controles em um ambiente que passa a exigir maior precisão na execução.


Executivos do setor têm comparado essa evolução a outros movimentos de modernização da infraestrutura financeira brasileira, em que a tecnologia não apenas cria novas regras, mas redefine padrões operacionais. Nesse contexto, a duplicata escritural tende a impulsionar maior governança sobre o contas a pagar, a validação de obrigações financeiras e a relação entre empresas, fornecedores e instituições financeiras.


“Não se adaptar não é apenas uma questão de eficiência, mas de capacidade de operar com segurança em um ambiente mais exigente”, afirma Miguel.
No novo modelo, o diferencial competitivo passa a estar menos em apenas compreender a regulação e mais em conseguir operar com consistência, rastreabilidade e controle. Para as empresas, a agenda passa a ser menos sobre reação regulatória e mais sobre preparação operacional. E, para o sacado, essa preparação passa diretamente pela maturidade do contas a pagar, pela qualidade dos dados internos e pela capacidade de validar obrigações financeiras com precisão.


Sobre a V360


A V360 ajuda outras empresas a organizarem e automatizarem o processo de pagamento de fornecedores. Isso significa que, quando uma empresa precisa pagar uma conta, há várias etapas envolvidas, como receber a nota fiscal, conferir se está tudo certo, aprovar e só então liberar o pagamento. Normalmente, esse processo é feito de forma manual e pode ser demorado, sujeito a erros e até resultar em multas por atrasos ou informações incorretas.


O que a V360 faz é oferecer uma solução tecnológica que automatiza essas etapas. O sistema coleta automaticamente documentos de diversas fontes, verifica se estão corretos conforme as regras fiscais e os processos internos da empresa, e integra tudo isso com os sistemas financeiros, permitindo que os pagamentos sejam feitos de maneira mais eficiente e segura.

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